terça-feira, 8 de setembro de 2015

Machado de Assis - Esaú e Jacó - CAPÍTULO XVI - PATERNALISMO



Machado de Assis - Esaú e Jacó




CAPÍTULO XVI - PATERNALISMO



Daí a pouco, Santos pegou na mão da mulher, que a deixou ir à toa, sem apertar a dele; ambos fitavam os meninos, tendo esquecido a zanga para só ficarem pais.
Já não era espiritismo, nem outra religião nova; era a mais velha de todas, fundada por Adão e Eva, à qual chama, se queres, paternalismo. Rezavam sem palavras, persignavam-se sem dedos, uma espécie de cerimônia quieta e muda, que abrangia o passado e o futuro. Qual deles era o padre, qual o sacristão, não sei, nem é preciso. A missa é que era a mesma, e o evangelho começava como o de São João (emendado): No princípio era o amor, e o amor se fez carne. Mas venhamos aos nossos gêmeos.




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